O Que Aconteceu com a Casas Bahia (BHIA3)? Entenda a Queda das Ações de Forma Simples

Pensando em investir ou entender o mercado? Descubra por que as ações da Via Varejo (Casas Bahia) caíram tanto e o que está acontecendo com a empresa!

FINANÇAS

Antony Fellipe

6/15/20264 min read

Por Que as Ações da Via Varejo Caíram Tanto? Entenda a Crise das Casas Bahia

Quem acompanha o mercado financeiro ou simplesmente gosta de ficar de olho na Bolsa de Valores com certeza já se deparou com a novela das ações da antiga Via Varejo (hoje rebatizada como Casas Bahia, sob o código BHIA3). Houve uma época em que a empresa era uma das mais recomendadas por analistas e queridinha dos investidores de varejo.

Porém, o cenário mudou drasticamente. Aqueles papéis que já chegaram a valer muito no auge do comércio digital sofreram quedas históricas, acumulando perdas gigantescas e deixando muitos acionistas assustados.

Muitas pessoas olham para esse cenário e se perguntam: Como uma marca tão gigante, que está presente na vida de quase todo brasileiro, pode sofrer tanto na Bolsa? Será que a empresa vai falir ou é apenas uma crise passageira?

A verdade é que a queda das ações não acontece por acaso. Ela é o resultado de uma combinação de fatores internos da empresa e de problemas na economia do país.

Quer entender os reais motivos dessa queda sem termos técnicos difíceis? Continue lendo este guia completo!

A Mudança de Nome: De Via Varejo
para Casas Bahia

Para entender a história atual, você precisa entender o nome do papel. Durante muito tempo, a empresa se chamou Via Varejo e controlava marcas como Casas Bahia, Ponto (antigo Ponto Frio) e o e-commerce Extra. No mercado de ações, o código mudou de VVAR3 para VIIA3.

Em 2023, como parte de uma estratégia para tentar limpar a imagem e focar no que tem de mais forte, o grupo decidiu mudar de nome corporativo de vez, passando a se chamar Grupo Casas Bahia, e alterou o seu código na Bolsa para BHIA3.

Mudar o nome ajuda a focar na marca principal, mas não resolve os problemas financeiros por si só. Quais foram esses problemas?

Fatores Internos: O que aconteceu dentro
da empresa?

O primeiro grande pilar que explica por que as ações caíram tanto envolve as decisões e a estrutura financeira da própria empresa.

O peso das dívidas e a reestruturação financeira

O varejo é um setor que trabalha muito com dinheiro emprestado para comprar estoques gigantescos e financiar o crediário dos clientes (o famoso carnê). O problema é que a Casas Bahia acumulou um volume de dívidas muito maior do que conseguia pagar de forma confortável com o seu lucro operacional.

Para não quebrar, a empresa precisou entrar em processos chamados de reestruturação de dívida e até em Recuperação Extrajudicial para negociar prazos maiores com os bancos. No jargão financeiro, quando o mercado vê uma empresa precisando desesperadamente renegociar o que deve, a confiança despenca e as ações caem junto.

Margens espremidas e custos operacionais altos

Manter centenas de lojas físicas abertas pelo Brasil custa muito caro: aluguel de shoppings, salários de milhares de funcionários, luz e logística. Quando as vendas caem, esses custos continuam fixos.

Como a concorrência na internet ficou muito pesada, a empresa teve que abaixar as margens de lucro (ganhar menos por produto vendido) para tentar competir, o que gerou prejuízos em vários trimestres seguidos.

Fatores Externos: A tempestade perfeita
na economia

Nem tudo foi culpa das decisões internas da diretoria. O cenário macroeconômico do Brasil nos últimos anos criou a pior situação possível para as empresas de comércio.

O impacto destruidor dos juros altos

O principal vilão do varejo se chama Taxa Selic (a taxa básica de juros do Brasil). Quando a inflação sobe, o Banco Central aumenta os juros para tentar frear o consumo.

Os juros altos destroem o varejo de duas formas:

  1. Do lado do cliente: Quem é que vai querer financiar uma geladeira ou uma televisão em 12 vezes no carnê se os juros estão altíssimos? O consumo cai na hora.

  2. Do lado da empresa: Lembra que a Casas Bahia tinha muitas dívidas? Quando o juro do país sobe, o custo de pagar essas dívidas (que são indexadas aos juros) também fica muito mais caro. Sobra menos dinheiro no caixa.

A concorrência pesada dos gigantes internacionais

Antigamente, as grandes redes brasileiras competiam apenas entre si. Hoje, o cenário mudou completamente. A Casas Bahia passou a disputar a atenção e o bolso do consumidor com gigantes multinacionais que possuem caixas bilionários, como:

  • Mercado Livre (líder em logística rápida).

  • Amazon (gigante global).

  • Shopee e Shein (com preços agressivos vindos do exterior).

Disputar espaço com plataformas que vendem de tudo com frete grátis ou preços muito baixos forçou o grupo a gastar rios de dinheiro com marketing, reduzindo ainda mais o caixa da empresa.

O que é o "Grupamento de Ações" e por que o preço pareceu mudar?

Se você puxar o gráfico histórico da empresa, vai notar que em alguns momentos o preço da ação parecia distorcido ou muito baixo (centavos). Para evitar que a ação virasse uma "Penny Stock" (ações que valem menos de R$ 1,00 e que sofrem muita especulação), a empresa realizou um processo chamado grupamento de ações (ou Inplit).

A analogia das notas de dinheiro

Pense que você tem 10 moedas de R$ 0,10 no bolso. No total, você tem R$ 1,00. O grupamento é o equivalente a trocar essas 10 moedas por uma única nota de R$ 1,00.

  • O valor total do seu patrimônio não mudou, mas a quantidade de papéis que você possui diminuiu drasticamente.

A Casas Bahia fez isso para tentar trazer estabilidade para a cotação na Bolsa de Valores, mas se a empresa não mostrar lucros consistentes, o preço da nova ação reajustada tende a continuar sofrendo pressão de queda.

Conclusão

A queda expressiva das ações da Casas Bahia (antiga Via Varejo) é explicada por um conjunto de problemas complexos. Internamente, a empresa acumulou um alto endividamento que exigiu reestruturações e planos agressivos de corte de custos (fechamento de lojas e demissões). Externamente, a taxa de juros elevada no Brasil encareceu o pagamento dessas dívidas e reduziu o poder de compra da população, que consome menos eletrodomésticos e eletrônicos parcelados. Somado a isso, a concorrência agressiva de empresas de tecnologia e e-commerces internacionais dificultou a recuperação das margens de lucro da companhia, refletindo no fechamento negativo de muitos pregões na Bolsa de Valores.

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